Nome: Tácio Renato Pizzi Caputo
E-mail: tacio.renato@oi.com.br
Mais do que apenas uma cama, o saco de dormir irá protegê-lo durante uma noite no albergue, ou em algumas situações ao sob um telhado do lado de fora de uma igreja, ou até mesmo am barracas...então é bom se prevenir.... Sentir frio no meio da noite ou mesmo morrer de calor a ponto de não deixá-lo dormir não significa que você não comprou um bom saco de dormir mas, sim, que você comprou o saco errado... Por ser um item fundamental, para quem vai fazer o Caminho de Santiago, o cuidado na escolha é imprescindível. E, para isso, você precisa levar em consideração uma série de detalhes. Antes de comprar um saco de dormir, uma boa regra é pensar na noite mais fria que você deverá enfrentar e, então, desça uns 5 graus centígrados. Lembre-se que é mais difícil se manter aquecido em um saco de dormir fabricado para temperaturas mais quentes do que se refrescar em um saco de dormir para temperaturas mais frias – um zíper totalmente aberto costuma resolver este problema em questão de segundos.
Existem dois formatos principais de sacos de dormir:
a) Camping – são os retangulares. Costumam abrir inteiramente, se tornando um edredon. Alguns vêm com capuz, o que facilita em lugares mais frios mas, em geral, são sacos para lugares quentes, pois a abertura maior deixa escapar o calor com mais facilidade. Para quem é um pouco claustrofóbico ou se mexe muito durante a noite, estes modelos são os mais indicados.
b) Múmia - acompanha o formato do corpo e aquece melhor, além de ser mais leve e compacto. Alguns possuem zíperes que permitem transformá-lo em saco de casal (tenha certeza de ter comprado sacos com zíperes colocados em lados opostos, para que possam se unir). Alguns vêm com fitas compressoras para diminuir o tamanho quando guardados.
Além do nome, o que difere os modelos é a temperatura mínima que ele permite que você durma confortavelmente dentro dele – isto não é uma ciência exata e você só verá efetivamente a diferença entre sacos do mesmo fabricante. A temperatura é definida como tolerância, conforto e extrema. Tolerância significa que aquela é a temperatura mais alta que o saco o deixa dormir sem morrer de calor. Conforto significa que, dentro daquela faixa de temperatura, você conseguirá dormir com pouca roupa extra, confortavelmente. Extrema é, como o próprio nome diz, o máximo que o saco agüentaria. Mas alguns fatores devem ser levados em consideração, como o cansaço, a fome, a umidade e a pessoa, já que existem calorentas e friorentas... Procure deitar alimentado e você terá uma noite melhor. E, o mais importante, procure ter um saco de dormir um pouco além do que a temperatura mínima que você pretende enfrentar.
Se você usar o seu saco de dormir envolto por um cobertor ou um saco de alumínio de emergência, seu isolamento térmico melhora em até 5o C, protegendo-o também da umidade. O cobertor de emergência é um acessório útil e de baixo custo que não deve faltar dentro das mochilas.
Um fato importante e que nem sempre consideramos , é que nós perdemos pelo menos 25% do calor pela cabeça e, para manter o corpo aquecido alguns sacos de dormir possuem capuz que fecham o suficiente para permitir que voce respire mas não deixam o calor gerado pelo seu corpo sair. alguns também tem o colar térmico que impede que o calor do corpo saia pela abertura na área do pescoço, mantendo seu corpo aquecido. Vale lembrar aqui que todos os equipamentos para frio não "fabricam" calor, mas têm a função de não permitir que o calor produzido pelo próprio corpo se dissipe mantendo, assim, seu conforto térmico. Estes itens costumam não existir em sacos de dormir retangulares, mas são fundamentais em sacos que agüentam baixas temperaturas.
As costuras podem ser uma importante forma de se perder calor, pelos micro furos feitos pela agulha. Assim, os sacos de dormir para temperaturas mais frias possuem costuras "desencontradas" entre a camada interna e externa, não permitindo a fuga do ar quente.
Os zíperes devem ser fáceis de manusear e abrir para os dois lados. Lembre-se que você poderá ter de manuseá-los com luvas, em noites mais frias. Os sacos de dormir desenhados para temperaturas mais baixas terão uma ‘aba’ entre seu corpo e o zíper, para não permitir que seu calor saia por ali. Alguns dos sacos de dormir da linha da Trilhas & Rumos viram um saco de casal bastando, para isso, unir os zíperes, que devem estar em lados opostos. Você deverá verificar isso ANTES de comprá-los.
Os Tecidos externo e interno normalmente, são feitos de náilon/poliéster (externo) e tactel ou microfibra (interno). O náilon exterior não é tratado com impermeabilizantes, pois seu corpo transpira muito durante a noite e este vapor precisa sair de alguma forma, para não condensar dentro do saco e acabar molhando-o.
A grande diferença entre os sacos de dormir está no enchimento... é aqui que se define o quanto um saco de dormir suporta de temperatura. O ar é o maior isolante que temos e a capacidade das fibras do enchimento armazenar ar é o que vai torná-lo mais ou menos quente. As fibras podem ser naturais (pluma do papo de ganso – duvet ou down – e lã) ou sintéticas.
Caminhar aproximadamente 700 quilômetros pode parecer difícil, mas com perseverança e muita fé acaba se tornando fácil. A pergunta é: Será que estamos preparados para caminhar corretamente?
Listo a seguir os dez tipos de erros que mais cometemos ao caminhar.
1 - Passo muito grande: Quando se tenta imprimir um ritmo mais acelerado na caminhada, há uma tendência natural em aumentar o tamanho do passo. Isso na verdade atrapalha a mecânica do exercício e ainda pode acarretar dores nas canelas. Se você quer andar mais rápido, o melhor a fazer é dar mais e menores passos.
2 - Calçados impróprios: Tênis pesados, duros, com mais de um ano de uso ou muito justos não são bons para caminhar e podem gerar problemas nos músculos e articulações. Vá a uma boa loja do ramos e pesquise as opções oferecidas.
3 - Pisada errada: Ao invés de pousar toda a planta do pé de uma só vez no chão, procure tocá-lo primeiro com o calcanhar e depois ir rolando a planta enquanto o corpo vai à frente. No final, para ganhar velocidade, dê um último impulso com os dedos. Parece difícil ou complicado ? Com o tempo você se acostuma e naturalmente você estará fazendo este movimento.
4 - Braços esticados: Manter os braços esticados para baixo durante a caminhada pode causar inchaço nas mãos. Além disso, o movimento natural de pêndulo que eles fazem acaba diminuindo sua velocidade. O melhor é dobrá-los em 90 graus, de modo que os punhos apontem para a frente e não para baixo.
5 - Cotovelos para os lados: Quem já dobra os braços durante a caminhada, muitas vezes comete o erro de apontar os cotovelos para os lados, provocando um movimento lateral dos braços. Mantê-los apontados para trás será mais eficiente para você e mais seguro para quem está ao seu lado.
6 - Cabeça abaixada: Nada de ficar olhando para os próprios pés durante a caminhada. Procure sempre olhar para a frente, mantendo o queixo paralelo ao chão. Seu olhar deve dirigir-se pelo menos a um ponto no chão entre 1,5 a 3,00 metros adiante dos seus pés. Esta postura vai auxiliar sua respiração e prevenir dores no pescoço, nas costas e nos ombros. Além disso, você poderá detectar com maior antecedência os obstáculos perigosos ou malcheirosos que surgirem no Caminho.
7 - Tronco inclinado ou balançando: Seu tronco não deve inclinar-se para a frente nem balançar para trás, apesar de haver uma tendência natural de que isso ocorra. Além de causar dores nas costas, a mecânica do exercício ficará prejudicada, diminuindo sua velocidade. Mantenha-se ereto, perpendicular ao chão e observando sempre o seu centro de gravidade que muda nas subidas e descidas.....Um abdome contraído ajudará muito nesta tarefa.
8 - Roupas erradas: No calor vista-se com roupas leves e claras. No frio agasalhe-se bem. Se você sai cedo pela manhã e o tempo costuma esquentar ao longo da caminhada, procure vestir várias peças de roupa ao invés de uma só, grossa. Um conjunto eficiente é formado por uma camiseta, um agasalho tipo suéter e um casaco. Assim, a medida em que o tempo e o seu corpo esquentarem, você poderá ir tirando as peças, amarrando-as na cintura ou na própria mochila. Use sempre um boné ou chapéu.
9 - Beber pouca água: Para manter-se bem hidratado, é recomendável que você beba pelo menos o equivalente a um copo de água a cada hora durante o dia. Beba um copo 10 minutos antes de caminhar. Durante o trajeto, beba o equivalente a um copo a cada 20 minutos. quando terminar a etapa beba um ou dois copos. Evite bebidas com cafeína (tipo coca-cola), pois elas provocam perda de líquido, e como conseqüência, mais sede....
10 - Caminhar em excesso: Até o criador descansou no sétimo dia. Não há porque não fazê-lo também. Exagerar na rotina da caminhada pode surtir um efeito desfavorável, deixando-o cansado, irritado, sem entusiasmo e com dores - acabando por afastá-lo do Caminho.
Você é um daqueles peregrinos que só caminham quando o tempo está maravilhoso?
Creia, o Caminho de Santiago reserva sempre alguma surpresa neste sentido, em num período de em média 30 dias muito provavelmente você irá pegar chuva, ou a chuva vai te pegar.
Tenha então em mente que viver a exuberância da natureza exige um pouco mais de jogo de cintura, e conviver com o céu nublado e principalmente com a chuva é fundamental, e até isso o Caminho certamente irá lhe demonstrar: - um verdadeiro peregrino aprende a apreciar e desfrutar das diversas condições climáticas e meteorológicas”.
É certo que algum planejamento o livrará de muitos aborrecimentos. Ou seja, planeje sua etapa como se fosse fazê-la debaixo de chuva. E terás a certeza de terminá-la com o material seco e em perfeitas condições. Mais do que isso... apenas este detalhe já lhe garantirá pouca chateação durante a caminhada, pois você, com certeza, não ficará preocupado com o que está acontecendo ali atrás, nas suas costas, dentro da sua mochila, faça sol ou caia uma torrencial chuva.
Algumas recomendações poderão ser úteis para tornar a etapa ( e o Caminho como um todo) ainda mais agradável, debaixo de qualquer tempo....
1. Sacos Impermeáveis (ou mesmo sacos plásticos) – acondicione tudo, rigorosamente tudo de sua mochila dentro de sacos plásticos sem furos nem rasgos ou dentro daqueles sacos estanques. Como os sacos estanques custam mais caros que os de plástico, você poderá utilizar as duas opções: roupas e coisas que podem, eventualmente, molhar, dentro dos sacos plásticos; coisas que não podem pegar uma gota d’água, como máquina fotográfica e outros aparelhos eletrônicos ou documentos e mapas, em sacos estanques. Para não complicar uma boa dica é a conhecida sacola de supermercado que resolve muito bem esta questão, embora seja frágil.
2. Capa para a mochila – algumas mochilas já vêm com capas de chuva embutida. Tanto melhor, pois você não correrá o risco de esquecê-la. Mas há também no mercado a capa para mochila avulsa. Há ainda a capa “camelo” que protege o peregrino e a mochila.
3. Faça a mochila pensando na chuva – não basta apenas montar tudo organizadamente dentro de sacos plásticos e estanques... se você vai caminhar quando não está chovendo tanto faz onde você colocou a sua capa de chuva, não é? Mas, se estiver caindo muita água, você com certeza vai querer ter o acesso mais fácil e rápido até ela! Mais que isso, ela deverá estar protegida o suficiente para não ter molhado a parte interna. Pense nisso quando estiver organizando sua mochila antes de uma caminhada longa... E não ligue muito para a previsão meteorológica.
4. Andar molhado e a regulagem da sua temperatura – Proteja-se antes mesmo de começar a sentir frio. Caminhe devagar e sempre quando estiver com o anorak, para não se esquentar mais do que devia... É muito desconfortável caminhar molhado por fora e por dentro, com um anorak que o deixa morto de calor! Por isso os zíperes situados debaixo do braço. Ao parar, coloque mais casacos por baixo do anorak, para não esfriar muito rapidamente, mesmo que não esteja sentindo frio, ainda.
5. Pés secos em dias de chuva – use botas tratadas com impermeabilizantes caso a sua botas não seja tratada de fábrica com Gore-tex ou similar compre um produto chamado Nikwax e, por cima delas, polainas de náilon, que irá fazer com que boa parte da água escorra da sua perna diretamente para o chão ou para a parte impermeabilizada de suas botas – e não direto para o interior das mesmas.
6. Quando sai o sol novamente – apesar do calor que possa sentir, cuide-se para não se molhar com a vegetação, que permanece encharcada mesmo depois da chuva parar. É o mesmo que acontece quando começamos uma caminhada muito cedo e o orvalho ainda não secou. Em menos de uma hora, nossas calças estão completamente ensopadas... Portanto, tenha um pouco de paciência e espere a vegetação secar para que você possa tirar a roupa de chuva.
7. Arejando o equipamento – se você está fazendo uma caminhada de vários dias e há muito não vê o sol, deixe tudo arejando tão logo ele saia... Seque suas roupas, coloque o saco de dormir estendido (cuidado com o vento!!!), tire as meias, abra bem as botas. Você verá como tudo estava úmido...
8. Comida à mão – esta dica é válida não só para dias de chuvas, mas para qualquer dia. Deixe sempre os lanches à mão, assim como a água, para que você não tenha de tirar a mochila toda hora que queira beber um gole ou comer alguma coisa. Em dias de chuva, este tira-e-põe da mochila é ainda pior pois, ao tirarmos a mochila das costas, ela poderá molhar justamente onde está em contato com o nosso corpo, nos deixando ainda mais úmidos e, muito pior, frios.
9. Meias molhadas – se, mesmo com todo o cuidado, você terminou o dia com as meias molhadas, torça-as e procure estende-la onde der....para que seque um pouco durante a noite. Se o dia amanhecer bonito, vista as meias secas e limpas que estão dentro da mochila e, provavelmente, foram usadas durante a noite e deixe as molhadas penduradas do lado de fora da mochila, para irem secando durante o dia. Caso o dia amanheça chuvoso, vista as meias molhadas (caso não tenha outra alternativa), reservando as secas para passar a noite pois, parado, sentirás muito mais frio do que em movimento. Vestir as meias molhadas será terrível nos primeiros minutos mas, logo, você se esquentará, deixando de ser tão desagradável. E cuide-se mais do que o normal quanto a bolhas, pois a pele úmida tende a ser mais suscetível a elas...
10. Anorak, sempre! – se tem algo imprescindível em sua mochila, seja ela para poucas horas de caminhada ou semanas seguidas, é o abrigo de tempo ou anorak. Em qualquer circunstância nunca, em tempo algum, saia para caminhar sem levá-lo na mochila.
Você acabou de adquirir as suas botas para fazer o Caminho. Se você tiver cuidado com as suas botas, você pode tê-las durante anos.
Abaixo descrevo algumas dicas que poderão garantir uma vida longa para seu par de botas.
1 - Impermeabilize suas botas caso elas não sejam impermeabilizadas.
2 - Amacie suas botas antes de fazer longas caminhadas. Amolde-as andando em torno da sua casa, ao ir as compras, por alguns dias no trabalho. Aproveite toda a oportunidade onde você possa amaciar a sola e para que o material do qual ela é feita comece a esticar e ceder um pouco ao formato do seu pé.
3 - Não comece o seu Caminho com um par de botas novas sem que a tenha amaciado antes. Não há como estipular um período de tempo ou uma distância para que suas botas estejam aptas para uma caminhada. " - Escute seus pés...." Se você estiver andando por um período de tempo prolongado, ou já ter andado mais de 30 quilômetros com suas botas, mas mesmo assim se sente incomodado, creio que está mais do que na hora de repensar em adquirir um outro tipo de calçado.
4 - Mantenha-as limpas. Quando você comprar a sua bota não se limite a sair somente com elas, mas deve também aplicar um produto de limpeza apropriado. Há um bom número de produtos no mercado para serem usados em materiais sintéticos ou naturais. Comece por bater as suas botas para retirar a maior parte de sujeira fora do solado e do material exterior. A seguir empregue uma escova de nylon dura e escove as botas para retirar a sujeira mais grossa. Se elas ainda estiverem sujas, utilize um pano úmido e limpe a sujeira que ainda existir, mas tenha o cuidado de não a molhar em demasia. O fabricante normalmente recomenda a aplicação de algum produto para remover sujeira assim como se houver necessidade de impermeabilização ele indicará qual o produto a ser empregado.
5 - Nunca seque suas botas aquecendo-as se estiverem ainda molhadas. Se você tiver suas botas molhadas, não as coloque junto ao fogo ou de um aquecedor a fim de apressar a secagem. Isso não só danifica o material, como traz outras conseqüências. Ao colocar suas botas junta uma fonte de calor, você pode derreter a cola que prende o solado na parte superior. Deixe-as, se possível, ao ar naturalmente seco ou em um lugar aquecido. Se tiver disponibilidade encha as botas de jornal para a retirada da umidade.
6 - Se você sentir o cheiro de mofo, você pode usar talco ou bicarbonato de sódio para retirar o cheiro. Uma vez secas, providencie uma limpeza completa e trate de impermeabilizá-las.
7 - Jamais ande com as botas desamarradas. Este conforto você só deverá ter quando chegar ao fim de uma etapa e não trouxe um calçado de descanso. Andar com as botas desamarradas causa um desgaste desnecessário aos forros internos e desfia os cordões, além de aumentar o risco de uma queda.
Vai fazer o Caminho? Um dos equipamentos mais importantes é a mochila. E saber como escolher uma que atenda as suas necessidades vai fazer a diferença entre escolher uma grande companheira de aventuras ou uma verdadeira inimiga.
As mochilas modernas, possuem tecnologia de ponta: são feitas em material leve e resistente, possuem tiras que permitem o ajuste perfeito ao corpo, sistema de suspensão para melhor distribuição do peso, e os mais diversos compartimentos, para os mais variados equipamentos e situações.
Existem vários tipos de mochilas, mas para o caso do Caminho de Santiago, devem possuir espaço suficiente para armazenar o que você elegeu para levar, aberturas laterais, alças anatômicas, costado ergonômico e tecidos inteligentes que maximizam sua performance!
Na hora de escolher uma mochila, é importante analisar uma série de aspectos antes de tomar uma decisão, afinal, escolher a mochila errada pode resultar em uma grande dor de cabeça – e uma dor das costas maior ainda.
Além de leve e resistente, uma boa mochila deve oferecer flexibilidade (estrutura forte, mas não rígida, permitindo que a bolsa se mova em harmonia com o corpo); equilíbrio (a estrutura deve manter o peso perto do centro natural de gravidade); estabilidade (diversas tiras de compressão que fixem os objetos dentro da mochila, evitando que fiquem se chocando contra o corpo, e que prendam a mochila às costas, deixando-a mais estável); liberdade de movimento (mais estreitas e próximas ao corpo, permitindo que os braços se movam livremente); e sistema de ajuste (sistema de suspensão que ajuste a mochila no corpo e distribua melhor o peso).
O que uma mochila deve ter ?
a) Barrigueira: tira ajustável na cintura. Deve ser larga e acolchoada, para aumentar a capacidade de carregar pesos maiores sem machucar a cintura e sem comprometer o equilíbrio. Deve ficar logo acima do osso ilíaco (os dois ossos proeminentes na frente do quadril), área onde a região pélvica começa a ficar mais larga, permitindo uma fundação estável e forte para a mochila. Dica: mantenha a mochila próxima ao corpo, mas não aperte muito o cinto, pois pode incomodar e até machucar. (ela deve estar firme, mas não muito apertada)
b) Alças acolchoadas: mochila grande, peso grande. Portanto, as mochilas devem ter alças largas anatômicas, acolchoadas e com ajuste (tiras finas e duras podem machucar o ombro e deixar o peso mais difícil de carregar)..
c) Painel nas costas: camada fina, mas resistente, feita geralmente de polietileno de alta densidade. Isso acrescenta rigidez à estrutura sem acrescentar peso, deixando a mochila m
ais firme (reta) e evitando que os objetos dentro da bolsa fiquem “cutucando” as costas. Algumas já vêm com uma armação.
d) Protetor das costas: algumas mochilas de estrutura interna oferecem um painel de espuma até a metade das costas, em uma tentativa de separar a mochila das costas e melhorar a circulação de ar. No entanto, esse sistema não ajuda muito – em longas caminhadas ou atividades mais puxadas é inevitável ficar com as costas suadas.
e) Sistema de suspensão: são diversas tiras com ajuste, localizadas nos ombros, no dorso e na cintura (apoio lombar, apoios dorsais laterais, estabilizadores superiores e laterais e estabilizador peitoral). Essas tiras permitem que o peso seja reposicionado e distribuído entre ombros, costas e quadris, deixando a mochila mais leve e fácil de carregar.
f) Revestimento: como as mochilas com sistema de ajuste costumam ficar mais próxima ao corpo, é normal que as costas fiquem mais quentes e suadas. Portanto é interessante escolher uma mochila com revestimento Dry System em todas as partes em contato com o corpo, para melhor absorção do suor e ventilação.
g) Material: as mochilas modernas geralmente são feitas de nylon ou Cordura, que são tecidos fortes, resistentes, leves, e com um bom acabamento. Ambos resistem bem à abrasão e à água (é claro que você não vai poder mergulhar em um rio com a mochila ou pegar uma tempestade.. .).
h) Compartimento para água e sistema de hidratação: algumas mochilas possuem vários bolsos externos laterais e outros compartimentos onde é possível guardar uma garrafa de água e pegá-la facilmente no momento da sede. Outras possuem dois bolsos laterais de tela elástico onde é possível acomodar duas garrafas pequenas de água, deixando-as mais à mão. Algumas mochilas modernas já vêm equipadas com sistema de hidratação, ou seja, um compartimento interno para depositar uma bolsa ou reservatório de água e uma pequena abertura para passar o longo e flexível canudo com tampa, que pode ser levado à boca a qualquer momento, sem precisar abrir a mochila ou procurar as garrafas de água nos bolsos.
i) Extras e anexos: muitas mochilas possuem inú
meros pontos de amarra que possibilitam que você anexe ainda mais bolsas e equipamentos, como cordas, tiras, capacetes, etc. Algumas mochilas possuem compartimento frontal externo ajustável - ótimo para guardar itens molhados -, além de bolsos laterais feitos de tela elástica ideais para carregar garrafas de água. Tudo isso é muito bom para organizar melhor sua bagagem, mas é preciso ter em mente que todos os extras acrescentam mais peso à mochila.
Contudo mochila boa é mochila leve. Portanto pense bem no que deseja levar e compre uma mochila com o tamanho certo - não compre uma maior do que precisa. Lembre-se quanto maior é a mochila, maior é o peso (e o peso pode atrapalhar muito o deslocamento e deixar a caminhada bem mais cansativa).
Algumas considerações que você deve fazer antes de escolher o tamanho de sua mochila: o volume exato depende também de suas características físicas e outros fatores. Dependendo de sua altura, resistência física e experiência na atividade a escolha pode variar. Por exemplo, uma mulher de 1,60 cm e 50 kg dificilmente irá carregar uma mochila de 75 litros com 12kg de peso. Neste caso, o melhor é uma mochila de 45 litros no máximo. Saber a experiência de outras pessoas para determinar o que será útil ou não na sua peregrinação faz muita diferença. Excesso de roupa, muito alimento, equipamentos inúteis são erros comuns que requerem mais volume e aumentam o peso da mochila.
Hoje vamos fazer uma abordagem sobre o que alguns consideram uma verdadeira parafernália: as alças da mochila
Invariavelmente a maioria dos peregrinos pergunta: para que tantas alças? E eu respondo: todas elas atendem a uma função.
A principal alça é aquela mais grossa e acolchoada que vai passar sobre seus ombros e que vai se prender na barrigueira. Sua mochila para caminhadas deve ter um dispositivo de ajuste da distância das alças em relação à barrigueira. Para isso é fundamental que o comprimento seja adequado ao tamanho das suas costas. Estas alças, nos equipamentos apropriados para longas caminhadas, saem do centro das costas da mochila com um tirante que possibilita a graduação do seu tamanho. É bom lembrar que esta alça não deve ficar apertada sobre o seu ombro, já que conforme já escrevemos no artigo anterior. Contudo não confunda estar “apertada” com estar “justa”. Tal alça ficando frouxa vai fazer com que sua mochila acabe tendo um movimento pendular ou com caindo para trás, transferindo parte do peso para o seu ombro. Desta forma deve ficar bem claro que estas alças paralelas tem a principal função de manter e equilibrar a mochila sobre o seu tronco.
Há ainda outras alças nas mochilas não menos importantes. As tiras de aproximação é uma dessas. Ao caminhar em terreno horizontal ou em descidas, o ideal é que a mochila fique perfeitamente ajustada nas suas costas (colada). A outra situação é quando o caminhante estiver em um trecho de subida, onde a mochila poderá ficar em uma posição próxima a vertical e o tronco do peregrino inclinado naturalmente para a frente. Para que haja conforto em ambas as situações existem as tiras de regulagem de aproximação da mochila. Elas estão situadas na parte superior das alças que vão sobre os seus ombros. Puxe-as, cada uma delas com uma das mãos para que sua mochila fique colada nas suas costas e afrouxe-as sempre que necessário.
Você também encontrará no sentido vertical a chamada “tira peitoral” que estão presas em no sentido transversal das alças de sustentação da mochila. A alça peitoral serve para que as alças dos ombros não saiam da posição, mantendo assim o equilíbrio perfeito da mochila. Existem mochilas construídas especialmente para o público feminino. Neste caso as alças peitorais ficam acima dos seios, para que não haja desconforto e compressão.
Buen Camino !!!
Mochilas Na parte da mochila que fica em contato com suas costas existem em resumo dois tipos revestimento.
Um que mais parece um acolchoado coberto por uma tela de nylon mas que na maioria das mochilas mais parecem uns gomos separados e que permitem que haja penetração de ar e melhor ventilação ou uma armação normalmente fabricada de fibra de vidro (tipo vara de pescar) onde é fixada uma tela de nylon que faz com que suas costas nas fiquem grudadas na mochila, dando em ambos os casos uma sensação de conforto, minimizando o problema de super-aquecimento e o suor acumulado nas suas costas.
Não é um dispositivo essencial, mas ajuda muito. Julgo conveniente alertar para os seguintes aspectos:
1 - Mochilas transportadas (caindo para trás) provoca ainda mais o deslocamento do seu centro de gravidade, que resulta em desequilíbrio e maior fadiga.
2 – Normalmente as mochilas podem se expandir. Se houver essa necessidade, que seja para cima.
3 – Se sua mochila estiver com alguma folga no seu interior, aperte as tiras de compressão que existem na lateral da sua mochila. Este procedimento fará com que a carga fique firme e mais próxima ao corpo, diminuindo sensivelmente a sua fadiga ao fim de cada jornada.
4 – Evite usar “pendurucalhos” do lado de fora da mochila. Além da fazer um barulho interminável, não deixa de ser uma fonte desnecessária de cansaço.
5 – Para arrumação da mochila siga a regra: Tudo que pesa mais deve ficar mais ao fundo da mochila e mais próxima ao seu corpo.
6 – A parte mais frágil da mochila é a fivela. Normalmente existem fivelas de dois tamanhos diferentes. Uma grande que é a fica na barrigueira e as demais de tamanho menor. É prudente levar pelo menos um exemplar de cada uma. Custa barato e não pesa. Como medida preventiva nunca deixe suas fivelas soltas ao pousar sua mochila no solo ou ao transportá-la dentro do avião. Alguém pode pisar nelas e quebrá-las. E uma mochila com a fivela quebrada, principalmente na barrigueira vai fazer com que você fique com o peso nas costas e não na cintura até que você consiga algum lugar que tenha a fivela e faça o conserto.
Em resumo a mochila ideal é: Capacidade de no máximo 50 litros; Poucos bolsos laterais; Estrutura interna rígida; Alças de sustentação largas e confortáveis com peitoral; Tiras de compactação; Confecção com tecido de boa qualidade e resistente a água; Peso nominal baixo – no máximo 1,5 kg; Ventilação adequada nas costas; Barrigueira larga e confortável; Abertura da mochila por cima e com possibilidade de abertura na parte inferior; Pode parecer exagero, mas por questões de segurança a mochila deve ser de cores fortes que facilite sua visualização Buen Camino !!!
Durante as longas caminhadas que fiz, inclusive o Caminho de Santiago, me motivaram a colaborar fazendo observações sobre os equipamentos inadequados que as pessoas usam e que podem trazer resultados indesejados, desde torcicolos, lombalgias até mesmo tendinites pela escolha inadequada.
E é sobre isso que vamos escrever em capítulos que é para não cansar. Incialmente vamos abordar o assunto "mochilas". A mochila será sua fiel escudeira durante todo o Caminho de Santiago ou das suas caminhadas de longo curso. Não economize na sua compra.. Invista na qualidade.
A primeira coisa que você deve saber é que existem diferenças entre os diversos tipos de mochila. Basicamente, temos as mochilas de caminhada, de escalada, e urbanas. A mochila urbana é aquela que tem normalmente duas alças que ficam sobre os ombros e que transferem o peso para suas costas e ombros trazendo um desconforto caso você fique um tempo demasiado longo com ela às costas. Já a mochila para longas caminhadas parece muito com a de escalada, mas tem uma diferença fundamental. A mochila para caminhadas tem uma barrigueira bem larga além de uma estrutura interna rígida.
A mochila de escalada tem como característica o formato mais estreito na parte inferior (cintura) para permitir que o alpinista de desloque com mais facilidade. Tem uma cinta larga para ser presa na ao corpo na região da cintura, porém sem o compromisso de transferir o peso para os quadris, como é a função da mochila para caminhada. Então, o que deve ficar claro logo de início é que a mochila eleita para compra tenha uma barrigueira confortável, suficientemente larga e de boa qualidade para que fique ergonomicamente ajustada e firme nos seus quadris, já que será nesta região, e não sobre suas costas que o peso da mochila vai recair. Você vai observar que a barrigueira é mais larga que um cinto comum e bem acolchoada para que seu contato com o corpo seja agradável, apesar de estar apertada. Para que a barrigueira cumpra a sua finalidade que é o de suportar o peso da mochila é preciso que haja uma estrutura interna rígida na parte que fica em contato com as costas, para que permita que o peso seja jogado nos quadris e jamais sobre os ombros. Esta funcionalidade elimina o esforço sobre a musculatura dos ombros e do pescoço e protege a coluna vertebral. Cuidados a serem tomados na compra da mochila:
1 - Mochilas com capacidade superior a 50 litros induzem o caminhante a levar coisas desnecessárias.
2 - Preço baixo é sintoma de baixa qualidade. Opte por marcas experientes no mercado.
3 - Muitas lojas só vendem mochilas para escaladas. Cuidado.
4 - Há mochilas fabricadas para longas caminhadas que possuem barrigueira mas sem estrutura interna.
Não é uma boa opção de compra. Buen Camino !!!
Olá amigos,
Atendendo a um convite muito amável do amigo Mário Kampf estarei a partir de agora aqui com vocês dando algumas dicas práticas, conselhos que podem ser úteis e comentários técnicos para aqueles que pretendem praticar longas caminhadas e principalmente trilhar pelos Caminhos que o poderão levar até Santiago de Compostela.
Tudo aquilo que você, amigo leitor, vier a ler doravante, é produto da minha experiência, e alvo de algumas pesquisas feitas visando minimizar os riscos associados a um empreitada de tamanha envergadura.
O Caminho de Santiago, se considerarmos que a maioria dos brasileiros elegem a cidade de Saint Jean Pied Port, na França, aos pés da cordilheira dos Pirineus, como ponto de partida, influenciados em parte pelo livro “Diário de um Mago” de Paulo Coelho tem em média 780 km. até a catedral onde está a cripta de Santiago – o maior – já na Espanha na cidade de Santiago de Compostela, sendo este caminho conhecido como “Caminho Francês”, embora existam outros, com diferentes distâncias e graus de dificuldade, que chegam ao mesmo destino. São milhares e milhares de passos, sob sol e chuva, enfrentando todos os tipos de terreno, onde serão enfrentadas adversidades de toda a natureza, colocando em xeque a sua perseverança e capacidade de resolução de problemas, onde desde a preparação física e mental e a escolha de bons equipamentos deixam de ser um detalhe e passam a ser de fundamental importância. Assim, este será o nosso objetivo: demonstrar, que nós como seres humanos, somos capazes de superar todas as dificuldades, desde que bem preparados nos mais diversos planos, comungando com natureza e nos harmonizando com o nosso semelhante, tornando-nos enfim, pessoas melhores, e verdadeiros agentes de transformação do mundo em que vivemos. Uma vez peregrino, sempre peregrino, porque viver é um eterno caminhar, seja lá em que circunstância for.
E foi assim, caminhando com minha mulher pelo Caminho de Santiago no período de abril/maio de 2003 que conheci o Mário, um grande piloto agrícola e agora representante comercial de equipamentos de trekking – Botas Chiruca - um autêntico gaúcho e um legítimo peregrino, criando com ele um sólido laço de amizade, em que pese a distância geográfica que nos separa. Foram cerca de trinta dias caminhando juntos, entre planícies, aclives e declives, atravessando bosques, margeando rios e horizontes sem fim, compartilhando experiências em perfeita harmonia e sintonia, onde a alegria foi nosso par constante.
Não vejam em mim uma pessoa especial. Sou uma pessoa comum, com hábitos comuns, com um emprego comum, com certeza assim como você, e foi isso que levou a enfrentar mais esse desafio em minha vida, objetivando dar um novo sentido à vida. Sou carioca, analista de sistemas, e hoje tenho 56 anos bem vividos, com a expectativa de viver mais algumas dezenas de anos para continuar caminhando por esse mundo, descobrindo novas amizades, e consolidando aquelas que fiz ao longo dessas caminhadas.
Buen Camino !
Até breve.
Tacio Renato Pizzi Caputo
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